O air fryer deixou de ser uma novidade nas bancadas da cozinha portuguesa. Em 2026, já faz parte do quotidiano de milhares de famílias — de Lisboa ao Porto, de Braga a Faro — e a razão é simples: jantares prontos em menos de meia hora, com ingredientes comprados no Continente, no Pingo Doce ou no Lidl da esquina. Sem frigideiras a pingar gordura, sem esperas longas, sem complicações desnecessárias. suite
Chegou a hora de assumir: a maioria de nós chega a casa depois das 19h sem energia para cozinhar algo elaborado. E foi exactamente para esses dias que o air fryer se tornou indispensável. A fritura por circulação de ar quente reduz até 80% da gordura em relação à fritura tradicional e poupa um tempo precioso que antes se perdia à frente do fogão. Não é magia — é física aplicada à cozinha doméstica.
Os modelos mais vendidos em Portugal este ano, como o Cosori 5,5L ou o Philips Premium XXL, já permitem cozinhar para quatro pessoas de uma só vez. Mas mesmo os modelos mais acessíveis, a partir de 40 euros no Lidl ou no Aldi, fazem um trabalho excelente para dois ou três comensais. O investimento recupera-se rapidamente na conta da electricidade.

Esta é, provavelmente, a receita mais repetida nas casas portuguesas em 2026. Pega-se numa embalagem de coxas de frango sem pele do Continente — as que custam cerca de três euros — tempera-se com colorau fumado, alho em pó, sal, pimenta preta e um fio de azeite. Quinze minutos a 200ºC e o frango fica dourado por fora, suculento por dentro, com aquela casca leve que o forno tradicional raramente consegue reproduzir com tanta rapidez.
Os legumes entram na última volta: cenoura às rodelas, courgette em meias-luas e pimento vermelho partido em tiras. Mais cinco minutos e está tudo pronto. A combinação é tão simples que parece impossível sair bem — mas sai sempre. É o tipo de receita que uma pessoa faz a correr numa terça-feira e que os filhos pedem de volta na quinta.
Sim, leram bem. O bacalhau à Brás — prato icónico da cozinha portuguesa — adapta-se surpreendentemente bem ao air fryer, com alguns ajustes. A base são lascas de bacalhau demolhado (encontram-se nas conservas do Pingo Doce em embalagens de 200g), batata palha de pacote e ovos mexidos preparados à parte numa frigideira pequena no fogão.
O segredo está em saltear a cebola e o alho nessa mesma frigideira, misturar com o bacalhau e a batata palha, e depois levar ao air fryer apenas cinco minutos a 180ºC para ganhar aquela consistencia ligeiramente crocante por cima que toda a gente gosta. Os ovos mexidos adicionam-se no final, fora do aparelho, para não secarem. O resultado é irresistível e fica pronto em cerca de vinte e cinco minutos — não é mau para um prato tão celebrado.
Ninguém resiste a umas batatas fritas. No air fryer, ficam crocantes com apenas uma colher de sopa de azeite por cada 500g de batata. Cortar em palitos médios, temperar com sal grosso e alecrim fresco — ou com a mistura de especiarias da Margão que está sempre na despensa — e estão prontas em 22 minutos a 200ºC, com uma mexida a meio do tempo.
Para variar, experimente cenouras baby glaceadas com mel e tomilho (12 minutos a 190ºC), brócolos com alho e sumo de limão (10 minutos a 180ºC) ou grão de bico temperado com paprika para petiscar enquanto prepara o resto do jantar. São acompanhamentos que mudam a rotina sem exigir muito esforço nem muito dinheiro.
O peixe espada preto é um dos peixes mais consumidos em Portugal e adapta-se muito bem ao air fryer. Compram-se as postas no Pingo Doce ou em qualquer mercado local, temperam-se com sal, raspa de limão e salsa picada, e vão ao aparelho 10 minutos a 190ºC. Simples assim.
O molho prepara-se à parte enquanto o peixe cozinha: manteiga derretida numa frigideirinha, sumo de meio limão, um dente de alho esmagado e uma pitada de pimenta branca. Do inicio ao fim, o prato demora menos de quinze minutos. É leve, proteico e agrada a toda a gente — incluindo às crianças que recusam peixe grelhado de outras formas.
O maior erro é encher demasiado o cesto. Quando os alimentos ficam sobrepostos, o ar não circula como deve e o resultado é um jantar meio cru, meio encharcado. A regra é simples: uma camada apenas, sem amontoar. Se for muita quantidade, faz-se em duas fornadas.
Outro erro frequente é não pré-aquecer o aparelho. Dois ou três minutos de pré-aquecimento fazem diferença real na textura final, especialmente com carnes e peixe. E não se esqueçam de virar os alimentos a meio do tempo de cozedura — é um passo pequeno mas faz toda a diferença no resultado.
Por último, muita gente esquece-se de que o air fryer aquece bastante por fora durante o funcionamento. Convem deixar espaço livre à volta do aparelho e nunca o encostsar a um armário ou à parede enquanto está a trabalhar.
Bananas abertas ao meio com canela e mel: 8 minutos a 180ºC, douradas e caramelizadas. Maçãs assadas com nozes e açúcar mascavado: 15 minutos a 175ºC. Croissants do dia anterior recheados com chocolate negro — os da padaria do bairro servem perfeitamente — ficam estaladiços e quentes em apenas quatro minutos a 160ºC.
São sobremesas honestas, sem pretensões, feitas com o que já está em qualquer casa portuguesa. E surpreendem sempre quem está sentado à mesa.
O air fryer não vai substituir o forno nem o fogão — cada coisa no seu lugar. Mas para a correria dos dias de semana, quando o tempo é curto e a fome é grande depois de um dia longo, tornou-se num aliado silencioso que muitos cozinheiros portugueses já não dispensam. E com razão.
